Pessoas mornas me irritam

Pra inaugurar o meu blog, queria falar sobre uma coisa que está me incomodando muito nos últimos meses.

Só eu fico irritada ao ter que interagir com pessoas mornas?

Só a mim incomoda o fato de as pessoas se utilizarem o tempo todo de máscaras socias, ocultando seus verdadeiros pensamentos e sentimentos?

Prefiro alguém que grite comigo, que expresse toda sua raiva e descontentamento, a ter que suportar horas a fio ao lado de uma pessoa apática.

Ame-me ou odei-me, mas nunca, nunca fique em cima do muro. Pessoas em cima do muro mereciam ser arremessadas para o outro lado.

Mas, analisando a questão com um pouco mais de profundidade, cheguei a algumas conclusões. Se eu não demonstro sentimentos eu estou protegido. Se as pessoas não sabem o que eu estou sentindo, não podem me atingir.

Óbvio e simples. Não é?

Indiferença. O escudo do mundo moderno.

Já ouvi falar até que isso virou doença mental. Uma série delas, pra falar a verdade. Será excesso de resiliência o que nos atinge? Síndrome do Super Homem ou da Mulher Maravilha? Burnout?

Fato é que a sociedade, o trabalho, o trânsito, sua família, seu parceiro(a), assim como todas as pessoas que interagem com vc ao longo do seu dia exigem que você esteja sempre equilibrado. Sempre mantenha a calma. Sempre ignore seus sentimentos de raiva, frustração, indignação e injustiça e reaja da forma que é esperado de você.

Não sou profunda estudiosa do tema pra falar com bases científicas.

Nem pretendo incentivar que as pessoas sejam grossas e intratáveis, que se achem no direito de despejar no outro seu caminhão de melancias à todo momento e por qualquer razão.

Mas não consigo ignorar o fato de que, a cada dia que passa, as pessoas tem se tornado mais indiferentes e insensíveis. E o pior: a si próprios

“Desligam” seus próprios sentimentos, ou se utilizam do mecanismo de defesa que eu gosto de chamar de ‘Síndrome de Scarlet Ohara’: Eu penso nisso amanhã.

Por não se permitirem viver cada emoção e sensação que surgem em seus caminhos, as pessoas se tornam mornas. Nem quentes, nem frias. Mornas.

Esse estado mental pode dar a falsa sensação de segurança. A pessoa se ilude. Convence-se de que é assim que ela tem que ser e agir para sobreviver. Pra suportar o dia-a-dia, a realidade.

Fico pensando: quantas vezes por dia uma pessoa é capaz de respirar fundo, reprimir e ignorar seus próprios sentimentos? Quanto é suficiente pra que eu possa ter pelo menos um acesso de raiva no dia? E, mais importante, até que ponto isso é benéfico pro indivíduo e pra seu crescimento?

A verdade é que eu não sei responder às minhas próprias perguntas.

Só sei que para se viver, mas viver mesmo – não só passar pela vida – nós precisamos ser quentes. Precisamos amar com intensidade e odiar com intensidade. Sentir paixão, raiva, desejo, compaixão, remorso, empatia, ciúmes, benevolência, inveja, piedade, arrependimento. Deixar-se viver cada um desses sentimentos. Intensamente. Só essa experiência nos torna mais humanos e menos máquinas. Só a vida nos ensina e nos faz mais sábios e capazes.

Não nos permitir sentir, nos torna emocionalmente imaturos e eternamente dependentes. Deixamos de ser protagonistas de nossa própria felicidade e passamos a depender do outro para que ela aconteça.

Quanto tempo as pessoas perdem na vida deixando de viver?

Se você não gosta do seu trabalho, utilize seu tempo livre para fazer coisas de que você gosta. Não faça apenas o que você é obrigado a fazer pela necessidade ou pelas convenções sociais. Faça também o que lhe dá prazer.

Se você não está com a paixão da sua vida, mude de parceiro(a). A vida inteira é tempo demais pra passar ao lado de uma pessoa que não te proporciona emoções verdadeiras, que não te faz rir como um louco e chorar como um miserável.

Cerque-se de pessoas mais inteligentes que você. Desafie a si mesmo. Provoque seu crescimento.

Se você sente falta de alguma coisa na sua vida, ouça seu coração. Descubra o que falta. Complete-se. Seja inteiro antes de querer ser uma fração de alguém.

Lembre-se que o contrário do amor, não é o ódio, mas a indiferença.

A indiferença é quem sufoca o entusiasmo até a morte. A insensibilidade é quem apaga o brilho nos olhos.

Ame. Sinta. Sofra. Cresça. Não sobreviva. Apenas viva.

Acima de tudo, seja você mesmo sempre que possível. Não se preocupe com o julgamento alheio. A única pessoa cuja opinião deve ser importante pra você é você mesmo. Se você não pode ser você mesmo em frente as pessoas que te cercam, está na hora de você mudar o seu círculo de convivência.

Precisa de alguém em quem confiar? Confie em si.

E como diria Shakespeare: “é o amor, e não o tempo, que cura todas as feridas”. Permita que o amor cure as suas e as transforme em algo melhor: experiência.

Seria hipocrisia da minha parte achar que eu também não sou assim. Quem sabe a minha irritação provoque uma mudança em meu próprio comportamento. Quem sabe eu não possa me tornar o exemplo daquilo em que acredito. O importante é dar o primeiro passo e se jogar no abismo dos sentimentos.

P.S.: Bom pesquisar alguns autores e descobrir que não sou a única a me sentir assim: irritada com pessoas que optam pelo que é morno, por manter o status quo, em vez de encarar uma mudança profunda que possa, a longo prazo, trazer uma felicidade maior e mais duradoura.

“Mas porquanto és morno, e não frio nem quente, te vomitarei de minha boca”. Apocalipse 3:16

 “Aos mornos eu vos vomitarei da garganta”. ( J.C.)

“Quando optamos pelo caminho da indiferença, nos tornamos psiquicamente ausentes, sem paixão, estamos presentes de corpo, mas com a alma escondida, fazendo o que tem que ser feito, racionalizando nossas escolhas, mas sem alegria, sem senso de liberdade ou de um sentido maior para vida. Isolados temos a falsa sensação de controle, mas essa indiferença, esse estado blasé, nos rouba nossa maior força, proteção e benção, que são o amor e a paixão abundante que vivem em nosso coração. São eles que não nos deixam suspirar profundamente no cansaço e no medo, pois são o elixir que renova tudo sempre”. Luciana Martuchelli

 

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