Mas eu me mordo de ciúme

Ciúme. Para o dicionário, zelo de amor, inveja; pesar, despeito por ver alguém possuir um bem que se desejaria ter.

Para os psicólogos, reação complexa a uma ameaça perceptível a uma relação valiosa ou à sua qualidade.

Para Shakespeare, um monstro de olhos verdes (Otelo. 1603).

Definições frias para um sentimento carregado de emoções quentes e que todo ser humano conhece bem. Afinal, quem nunca presenciou, ou foi protagonista, de uma cena de ciúme?

Casais promovem escândalos públicos, amigas brigam por sentirem que não recebem a atenção necessária da outra, pessoas cultivam sentimentos negativos por quem possui algo que as mesmas não têm, irmãos se detestam por se sentirem preteridos pelos pais. Formas diferentes para um mesmo sentimento.

O ciúme está relacionado, nos relacionamentos amorosos, com a falta de confiança no outro e/ou em si próprio e com o medo da perda. O ciumento não acredita na fidelidade do outro e/ou não se sente digno do amor dele(a).

Em sua forma mais avançada, o ciumento passa a exigir do outro coisas que limitam a liberdade deste. Seja de expressão, de movimento ou de relacionamento. É o caso de homens que controlam as roupas que suas mulheres vestem, onde vão ou deixam de ir. Mulheres que definem o que (e quem) o homem pode ou não incluir em suas redes sociais (e que dão piti quando ele não as obedece) ou que cismam com determinadas amigas, que juram que querem “roubá-lo” delas.

O ciumento cria dentro de sua própria cabeça, situações irreais e se convence de que elas acontecem, aconteceram ou acontecerão. Essa fantasia vem do sentimento de posse em relação ao outro e da necessidade de controlá-lo, já que o mesmo “lhe pertence”. Pode, inclusive, se transformar em obsessão. No cinema, vimos isso acontecer em “Atração Fatal” e “O preço da traição”? Na literatura, em Otelo e Dom Casmurro.

Minha avó costumava dizer que, quanto mais uma pessoa é ciumenta e possessiva, mais ela própria não é de confiança. Seres humanos tendem a projetar no outro seu próprio comportamento, seus próprios desejos e vontades. O ciumento possessivo é, muito freqüentemente, uma pessoa infiel. E por saber o que é capaz de fazer, acredita que o outro também o é. A vida, assim como algumas experiências, me mostraram que essa é uma das maiores verdades populares de todos os tempos.

Fato é que essa “posse” e esse “controle” que o ciumento entende ter, são pura e simplesmente imaginários. Como bem sabemos, ninguém é propriedade de ninguém.
Crises de ciúme constantes e sem fundamento servem apenas para aumentar a probabilidade de afastamento do outro. Ninguém gosta de ter sua liberdade cerceada e, em algum momento, a pessoa optará por sua auto-preservação. Questão de instinto.

A verdade é que não existe sentimento mais satisfatório e gratificante do que saber que o seu amor escolheu ficar (e permanecer) com você, apesar de ter outras opções, e não por falta delas.

Já diziam Raul Seixas e Paulo Coelho, “amor, só dura em liberdade, o ciúme é só vaidade”.

Liberte seu amor. Estou certa de que, se ele(a) te amar de verdade, não irá para muito longe de você.😉

One Comment to “Mas eu me mordo de ciúme”

  1. magnificent issues altogether, you simply gained a emblem new reader.
    What may you suggest in regards to your put up that you simply made a few days in the past?

    Any positive?

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: