Personal hell…

Todo mundo tem seu inferno pessoal e particular. Verdades obscuras que amedrontam. Aqueles pensamentos que vêm à cabeça e cuja menor chance de serem reais já causa arrepios pela nuca.

Perder alguém, uma doença, ficar pobre, não ser amado. Esse sentimento pode ser acionado por uma série de possibilidades. E ele muda muito de pessoa para pessoa.

O meu inferno pessoal é a solidão. Total e completo isolamento. Não ter com quem contar pra nada. Saber que, não importa o que aconteça, eu terei que me virar sozinha. Não ter com quem conversar, trocar idéias, desabafar. Ser apenas mais uma alma perdida nesse mundo cão, sem objetivos, desejos, sonhos ou metas. Saber-me apenas mais uma cuja vida não faz diferença, nem tem importância. Afinal de contas, o mundo sempre existiu sem a minha presença e vai continuar existindo na minha ausência.

Por que isso é o meu inferno pessoal? Porque pensar essas coisas faz com que eu me questione: de que adianta, então, tentar ser uma pessoa melhor? Em que vai afetar a minha vida o esforço de fazer o que é certo? No final, todos teremos o mesmo destino, de qualquer forma. E qual o sentido de tudo isso? Se quando encontramos sentido em alguma coisa, normalmente, ela é tirada de nós, ou nunca nos é, sequer, concedida. De que vale cultivar o intelecto, desenvolver a personalidade, ser uma boa pessoa se, no final, tudo acaba da mesma forma?

Será possível que alguém possa ter consciência do mundo, de como as coisas são na realidade e ser feliz ainda assim? Às vezes é necessário um esforço tremendo até pra que eu possa convencer a mim mesma de que é preciso levantar da cama e continuar a ”batalha” da vida.

Todos nós pensamos coisas desse tipo. E, na verdade, o que diferencia as pessoas é a forma como cada um encara esses pensamentos. Você pode optar por ouvi-los e ficar paralisado de medo. Ou você pode escolher olhar o monstro dentro dos olhos e falar pra ele: “aqui não, bebê”. É isso o que diferencia os covardes dos corajosos. É a opção de continuar em frente apesar dos medos, apesar das decepções, apesar de a vida não ser o que você esperava. Eu acho que é isso que se chama fé. Já dizia Steve Jobs, “você precisa acreditar em alguma coisa, na sua coragem, no seu destino, na sua vida, no karma, em qualquer coisa”.

Espero que meu inferno pessoal se mantenha sendo apenas isso: pensamentos soltos na minha cabeça. Espero ainda que, um dia desses, eu encontre uma razão e um objetivo que dêem sentido à minha existência, que me transformem, não em mais uma, mas em uma pessoa única e importante, ainda que seja importante para poucos. Mas enquanto isso não acontece, eu continuo vivendo e lutando e resistindo. Nunca tive vocação pra covardia. E você?

One Comment to “Personal hell…”

  1. Este seu post veio ao encontro de uma conversa muito parecida que tive ainda hoje, onde eu perguntei de que valeria conquistar o que quer que fosse, sem ter com quem dividir a conquista?
    O fantasma da solidão me assusta, também. E muito! Mas eu o enfrento, cultivando dentro de mim um doce sonho…

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