A bunda não prejudica?


Calor, verão, sol e mar e o brasileiro se delicia com as vantagens de se viver em um país tropical. Os corpos se rendem às altas temperaturas e ficam mais expostos. Decote, barriguinha, pernas e a bunda. Ah, a bunda! O caminhar da Garota de Ipanema leva a beleza a outra dimensão no Brasil.

Mas o fato é que isso faz com que haja uma demasiada preocupação com a aparência em detrimento ao intelecto. Eu diria até que a bunda nos prejudica. Não entendeu nada? Vou explicar!

Uma amiga me contou que, dia desses, durante o trabalho, alguns colegas conversavam sobre um assunto curioso: métodos de enrijecimento da musculatura das nádegas! Exercícios, alimentação, cuidados de beleza, e exemplos de portadoras de glúteos privilegiados foram debatidos. E quando não é bunda, é silicone, cabelo, roupas, abdômen…

Essa semana, eu li no portal de um grande conglomerado, a notícia de que um concurso elegerá a brasileira de bumbum mais bonito, com concorrentes dos 27 Estados (leia aqui).

Presente no imaginário desde sempre, trazido à tona nos anos 1980, com o fim da repressão e criação do biquíni ‘fio dental’, o “culto à bunda” atinge seu ápice nos anos 1990, com a massificação do grupo “É o Tchan”, com suas Carlas, Sheilas e Scheilas. Até hoje Carla Perez é referencial de bunda grande e cérebro pequeno.

Desde então, a bunda nunca mais foi vista da mesma forma. Hoje estão aí as mulheres melancia, melão, morango, abóbora, jiló, jaca, e outras frutas mais, que não deixam dúvidas sobre o status da derrière nacional. É a ditadura das popozudas.

Aí vem a questão, o que faz as pessoas se preocuparem tanto com uma parte do corpo? Essa obsessão pela aparência, a busca pelo corpo perfeito, onde começou? Em que momento a aparência se sobrepôs ao caráter quando se fala em ser uma pessoa melhor?

Alguns pontos a serem levados em consideração:

Anúncios, revistas, propagandas, séries, sites, filmes… Tudo vende uma imagem, um padrão de beleza. Padrão este que vem associado diretamente com a idéia de sucesso e felicidade. Se você não tem aquela aparência, não pode ser bem sucedida e feliz.

O consumismo exacerbado leva as pessoas a entenderem tudo como um produto e, como tal, à necessidade de propaganda. Tal qual uma bolsa francesa com assinatura de estilista internacional, um corpo perfeito é garantia de sucesso no mercado.

A grande quantidade de informações e a velocidade com que lidamos com elas. Todos lêem as manchetes e, é bem sabido que, quanto maiores forem as letras, mais lida esta será. Quanto maior e perfeita a bunda for, maior número de ‘cliques’ receberá. O mesmo vale para as redes sociais. O melhor shape garante mais ‘curtir” nas fotos. Ainda que como nas manchetes, a notícia possa ter um sentido completamente distinto.

O individualismo também faz com que se passe a enxergar o outro como extensão do próprio ego de cada um. O outro passa ser apenas um complemento e, é melhor que este seja de causar inveja, afinal de contas, a imagem que se projeta é a que vale.

Inesgotável o assunto, não? O fato é que está na hora de nós meninas decidirmos como queremos ser vistas.

Óbvio que se sentir bonita, desejada, percebida nos faz bem. Mas a que preço?

Estamos vendo se criar mais uma geração de louras burras, mulheres fruta e candidatas a BBB. É isso que queremos para o gênero feminino?

Depois de todas as lutas por igualdade de direitos, oportunidades, posição e, some-se a isso, nossa eterna insatisfação com relação ao machismo e discriminação, por que continuamos a nos submeter a esses padrões e a essa exposição, como se fossemos mercadorias ou pedaços de carne expostos no açougue?

Seremos vistas e tratadas como quisermos ser. Se aceitarmos o papel de objeto que nos é imposto, se deixarmos que nossa valorização seja dada pelo nosso corpo e pela nossa aparência e se colocarmos a bunda no lugar da cabeça, onde vamos chegar?

E vocês, homens, enquanto escolherem as mulheres que estarão ao seu lado à longo prazo pela bunda, me desculpem mas, como diz o ditado, vocês merecem relacionamentos de merda.

Tá na hora de nós mulheres acordarmos e assumirmos a responsabilidade pela pressão que nos é imposta. Como dizia Ghandi: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”.

Edição e colaboração Ricardo Flausino. (Crônicas do Absurdo)

3 Comments to “A bunda não prejudica?”

  1. Concordo totalmente com você, e assino embaixo!
    Eu diria que a ditadura das bundas é uma subditadura dos padrões puramente visuais e imediatistas do nosso mundo.
    O sujeito “ganhar” a maior bunda do pedaço, pode vir a ser o sucesso da festa. Pode até acontecer que a noite de sexo tenha um interesse adicional (nada é garantido). Mas, e depois, quando ela me soltar um “i de escola”, como a Carla Perez? Ou quando, com a idade, a bunda, ou o peito cair? Silicone caído é muito pior do que o natural caído. Ou também o relacionamento só pode ser visto pela ótica do imediatismo, uso por algum tempo, canso, jogo fora e vou atrás de outra coisa?
    Se esta for a ideia, então não serve para mim.

  2. Olá!

    Bom dia, meu nome é Marcelo. Li este artigo. Também sou partidário a esse pensamento, mas vejo que estamos indo contra a corrente. Achei super legal o seu “blog”. Gostei do que você fala e gostaria de manter mais contato. Talvez eu migre para o wordpress.

    Bom, é isso. Parabéns pelo blog, e siga em frente. Um forte abraço

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