Livin’ a lie

E então ele partiu. Foi para um lugar onde seria um total e completo desconhecido.

Deixou pra trás toda a vida que tinha. Levou consigo apenas o que julgava importante para construir a vida nova que pensava ser a ideal.

Podia ser o que quisesse. Como quisesse. Quem quisesse.

Todos os dias se convencia de que havia feito a escolha certa. Tomado a decisão correta. Feito o que era necessário.

O mais importante era que conseguira manter sua imagem quase que intacta. Sabia que os danos poderiam ter sido muito maiores e estava feliz por tê-los conseguido manter sob controle.

Quando pensava nela, repetia a si mesmo que não a desejava mais. Que ela não havia sido importante. Que fora apenas um erro, uma mancha, uma mácula em sua história. Haviam outras manchas, coisas que ele preferira esquecer, e ele já tinha aprendido a conviver com elas, a esquecê-las.

Eventualmente também a esqueceria.

Sabia que lhe havia partido o coração. Às vezes pensava no quanto ela fez por ele, no tanto de amor, carinho e atenção que ela lhe dedicara. Eventualmente pensava em todas as lágrimas que a fez chorar, e, nesses momentos se sentia um pouco mal. Mas rapidamente se convencia de que fora necessário. Afinal, ele tinha planos para ter a vida feliz que sempre sonhou, e tinha que se ater à eles.

O tempo passava. Sua vida mudara drasticamente. Havia momentos em que era realmente feliz.

Então por que continuava pensando nela? Por que sentia tanto sua falta? Por que se preocupava em como ela estaria? Por que tinha essa vontade de cuidar dela? Tudo isso já não deveria ter se transformado em uma lembrança desagradável do passado? Por quanto tempo mais a lembrança dela lhe assombraria?

E por que, apesar de todos os seus esforços em fazer daquela vida que escolheu, a melhor e mais feliz possível, havia momentos em que se sentia o mais miserável dos seres?

E a pergunta que jamais o abandonaria, que o atormentaria para sempre, a cada frustração, a cada momento infeliz, a cada vez em que precisava desesperadamente de alguém que o compreendesse, que cuidasse dele, que o fizesse rir, era: “e se?”.

E se ele tivesse feito uma escolha diferente? E se ela estivesse hoje ao seu lado? Ele seria mais feliz? Se sentiria mais apreciado? Mais amado? Mais compreendido? Teria suas necessidades melhor atendidas? Sua vida seria mais leve? Menos complicada?

Mas isso, finalmente entendeu, ele jamais saberia.

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